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segunda-feira, 7 de maio de 2012

Apostas e Dispensas - PORTO

Afinal há mesmo super-heróis

Apostas:
  • Iturbe - deve jogar muito, mas mesmo muito mais. O "mini Messi", ainda que - muito provavelmente - nunca chegue ao nível do astro argentino, tem obviamente imensa qualidade. Bem sei que o resguardaram para não ficar com tiques de vedeta nem sucumbir à pressão, mas não acham que exageraram? O rapaz tem de jogar para poder evoluir - e a próxima época pode afigurar-se como ideal para fazê-lo.
  • James - sim, foi titular; sim, foi um dos grandes destaques desta época. Mas nunca foi titular indiscutível e a sua regularidade está longe de ser brilhante. Talvez um treinador melhor que Vítor Pereira consiga espremer o sumo todo que o nosso menino prodígio - sem dúvida o melhor jogador jovem do campeonato - tem para dar.
  • Atsu - é fazê-lo voltar já para a próxima época, este rapaz foi o melhor de todos os jogadores emprestados pelos dragões esta temporada! Muito talento e regularidade impressionante para quem tem apenas 20 anos - e é um produto da formação.
  • Alex Sandro - a mais que provável saída de Álvaro Pereira abrir-lhe-á as portas da titularidade, que agarrou com unhas e dentes já na ponta final do campeonato. Um diamante em bruto: ainda precisa de crescer, mas o talento está todo lá - é só apostar nele com regularidade.
  • Danilo - não percam mais tempo a procurar novo lateral-direito. O jovem brasileiro diferencia-se do compatriota do lado oposto da defesa por um factor muito importante nestas andanças: a maturidade. Para o ano, verão o nosso novo "2" a partir a loiça toda! O número mítico só serve aos melhores...
  • Walter e Janko - traz-se o Bigorna de volta e mantém-se o gigante austríaco. Marc tem muito mais para dar e o brasileiro vai mostrar quão melhor é que Kléber. É só darem-lhe confiança... e tirarem-lhe uns quilinhos. Força, Walter! Don't leave us, Janko!
  • André Castro - TEM de ficar no plantel para a próxima época! Um talento destes não pode ser desperdiçado! Ponto! E como sonha vê-lo, dentro de um ou dois anos, envergar a braçadeira de capitão... Isso sim era bonito!
Dispensas:
  • Vítor Pereira - chamem-lhe maldade, falta de esperança ou incredulidade. Eu chamo-lhe algo muito simples: o homem não tem calibre para o meu clube. Um primo meu benfiquista disse-me um dia destes: "a melhor contratação do Benfica este ano foi o Vítor Pereira". Mostrou tomates na Luz? Sim, é verdade. Mostrou que era o treinador mais disposto a vencer quando trocou o Rolando pelo James e o Moutinho por mais não sei quem. Porém, esse foi o seu único rasgo de génio durante toda a época no banco do Futebol Clube do Porto. E a humilhação frente ao APOEL? E a eliminação frente ao Zenit? E não ter inscrito o Walter na Liga dos Campeões? E a eliminação da Taça de Portugal frente à Académica, penúltimo classificado do nosso campeonato? E...? E...? Demasiadas coisas más para um técnico que quer ganhar num clube duas vezes campeão europeu e muitas mais vezes campeão nacional. Safou-se esta época, é verdade. Mas safar-se-á na próxima...? Creio que não.
  • Kléber - a partir do momento em que um comentador português inventa a expressão "recepção à Kléber" para descrever o fenómeno de se meter o pé à bola e esta ir parar dois metros à frente do jogador, algo está muito errado. O rapaz nem é mau jogador - simplesmente não é ponta-de-lança. Falta-lhe o faro, o oportunismo, a velocidade, a reacção... basicamente tudo o que um bom goleador deve ter! Quantas vezes já o vimos não perceber uma trajectória absolutamente óbvia ou não antecipar um passe de morte? Quantas vezes já o vimos - ou melhor, não o vimos à boca da baliza para encostar para golo? Quantas vazes já o vimos perder em velocidade para os defesas? Quantas vezes já o vimos partir para a bola depois dos defesas, simplesmente porque não teve esperto no cabeço para compreender que o extremo ia, obviamente, fazer aquele passe?! Talvez seja um bom médio, quem sabe? Mas ponta-de-lança é que não é - e suspeito que nunca o será...
  • Rodríguez - o extremo uruguaio já deu o que tinha para dar - o que, diga-se, foi muito pouquinho... Já está no seu país a tratar do futuro e há muito se tornou óbvio que o Porto não fazia parte do seu futuro. Ainda assim, até gostava dele. Não era um jogador regular, muito menos nas suas aptidões: naqueles dias em que parecia ter os pés, faltava-lhe a cabeça; nos dias em que parecia ter recuperado os miolos, as botas não correspondiam. Porém, tinha muita energia e vontade de vencer, vendendo sempre cara a derrota. Todos nós, Portistas, agradecemos o teu inconformismo. Boa sorte, Cebola!
  • Álvaro Pereira - o Palito há muito que está com a cabeça noutro lado. Contudo, há que elogiar o profissionalismo com que encarou a transferência gorada para o Chelsea no Verão passado. Sempre jogou bem e deu o máximo pela equipa - até àquele fatídico jogo com o Braga em que, mais grave que a reacção à expulsão, foi a exibição a roçar o ridículo. Podes ir, Álvaro, e que tenhas muito sucesso no teu próximo clube. E que nunca te esqueças da equipa que te levou à glória - que nunca te esqueças de nós.
  • Fernando - quanto ao Polvo, estou na dúvida, mas se quiser mesmo ir, que vá: grande parte do Campeonato 2011/2012 foi graças às suas exibições a roçar o ridículo... de tão superiores que eram a todos os outros trincos em Portugal. Um dos melhores médios defensivos a actuar em toda a Europa tudo nos deu - e tudo merece.
  • Djalma - mas o que é que o angolano faz aqui, exactamente? Tem cabeça e criatividade, é um rapaz até muito inteligente a jogar - mas os pés, coitadinhos, não têm a mesma pedalada e acabam sempre por deixar mal este africano de grande raça e muito querer.
  • Rolando - ou o cabo-verdiano se conforma com ser terceira opção - ou quarta, pois Mangala ameaça passar-lhe à frente - ou adeuzinho e um muito obrigado. Dispensamos os teus serviços, rapaz. Foste, sem dúvida alguma, um dos piores activos do Porto esta temporada.
  • Hulk - o super-herói do meio da temporada não estava a ser lá muito Incrível, mas quando mais precisámos dele... lá ficou verde e ajudou-nos a ganhar meia-dúzia de jogos fundamentais para a conquista do título. Esta vitória fica com selo especial do Verdocas, James e Fernando, para mim as peças mais importantes do puzzle 2011/2012. Gostava que não se fosse embora, mas se for esse o seu destino... UM ENORME OBRIGADO AO HULK POR TUDO O QUE NOS DEU!!! ESTE SIM, É MESMO INCRÍVEL!!!

domingo, 1 de abril de 2012

A César o Que é de César, o Campeonato ao Campeão





Jornada 25. E pronto! Voltámos à ordem natural das coisas! O Porto em primeiro, o Benfica como eterno segundo, o Braga em terceiro... e o Sporting mais lá para o fundo. Digo isto sem maldade, com o espírito leve e virado para a brincadeira do comum adepto que vê a equipa do coração a jogar bem e a obter resultados. No final, o desfecho dos dois jogos foi benéfico para o FCP, que regressou à liderança após... uma semana.

Benfica 2-1 Sp. Braga
Desde cedo se sabia que o duelo iria ser interessante de se ver e muito bem disputado. Embora o Braga partisse para o jogo com ligeira vantagem pontual e anímica - primeiro lugar e duas partidas consecutivas dos seus adversários sem conhecer o sabor da vitória -, o embate seria na Luz, e na Catedral... manda o Benfica. Assim foi.
Mas ontem, a Catedral foi um Império. Regressado dos mortos, o imparável quando inspirado Nico Gaitán perfumou o relvado encarnado com o seu futebol prodigioso, a justificar o porquê do interesse dos dois rivais de Manchester. E, como no Império Romano, em que o exército suava e definhava para fazer brilhar o seu líder, o "20" da Luz jogou e encantou para fazer com que o seu (Bruno) César marcasse o golo da vitória.
Realce para a exibição irrepreensível do jovem Miguel Vítor, que apenas deixou passar Lima quando se lesionou, e para mais um jogo apagado de Rodrigo e para a falha de Artur. Capdevilla já merece maior confiança de Jesus e não é que as invenções do técnico das águias funcionaram mesmo??
Nota positiva para o Braga, que nunca desistiu e proporcionou uns minutos finais de grande futebol e emoções fortes. O golo benfiquista ao cair do pano matou os minhotos; contudo, embora o resultado seja o mais justo, os guerreiros nunca se deram por vencidos e provaram ser justos concorrentes ao título. A contenda, apesar do desfecho desta partida, vai continuar a ser a três, e prevejo que assim prossiga por mais anos - e não seria ainda mais belo ver uma luta a quatro, com o Sporting também a disputar o título?

Miguel Vítor esteve perfeito até à lesão

Bruno César marcou o golo da vitória da Águia...

...e acabou por ser herói tardio

Já contra o Chelsea, Nico tinha estado em bom plano

Os marcadores dos dois golos encarnados

FC Porto 2-0 Olhanense
Não, não foram brilhantes - longe disso. Mas pela primeira vez desde há algumas jornadas, os rapazes conseguiram assinar uma exibição deveras agradável, num jogo em que o Olhanense não se resguardou e foi também à procura da vitória, contribuindo para que o Dragão assistisse a um bom espectáculo.
Nota para a dupla de centrais formada por Maicon e Otamendi, a provarem com uma exibição impecável que a sensação de que Rolando estava a fazer uma má época não estava errada: cabo-verdiano no banco, zero golos sofridos. Não pode ser coincidência! James voltou a ser craque: aquela finta de corpo a deixar o adversário pregado ao chão, seguida da colocação perfeita da bola, demonstram-no; além do livre directo que enviou ao poste da baliza de Fabiano, que foi gigantesco. Destaque também para Hulk que, apesar de não ter marcado, assinou uma exibição aguerrida, puxando a equipa para o ataque.
É pena que Lucho renda pouco mais que uma parte inteira, pois o talento, ainda que esteja todo lá, não é explanado na sua totalidade. Mas para rendê-lo está Defour, que acabou por participar na belíssima jogada do segundo golo portista, o qual matou quaisquer aspirações algarvias em obter algum ponto.
Tornou-se ontem óbvio que Lucho não pode ser colocado a "10" e que Moutinho não pode ser o (mais que ridículo) guarda-costas de Fernando. O Polvo, sozinho, chega para elas todas, de tão grande jogador que é. E o mini-tuga torna-se enorme quando se chega à frente, emparelhado com El Comandante. Os resultados estão à vista: golo para o argentino, prémio de Homem do Jogo para o português.
Os laterais que temos são meio amalucados, é verdade, mas de grande qualidade. Sapunaru voltou à grande forma e Álvaro (desta vez mais contido para não levar um amarelo que o deixasse de fora em Braga) continua a martelar os adversários pelo seu flanco. Janko, apesar de não marcar muitos golos, é importante: uma referência na área de peso que permite aos extremos terem mais espaço e o companheiro de tabelinhas dos jogadores azuis-e-brancos. Helton é o mesmo tipo tranquilo de sempre que, quando chamado a intervir, fá-lo com serenidade e eterna competência.
Uma vitória que não oferece qualquer tipo de contestação, com os dragões a voltarem merecidamente ao primeiro lugar do campeonato, dado que têm sido os mais regulares e que, até ver, levam vantagem no confronto directo com os seus rivais ao título. Irá o Porto conquistar o título? A ver vamos.

Lucho foi o autor do primeiro golo portista

Quatro dos cinco grandes destaques dos dragões (por altura)

Hulk não marcou, mas foi dos melhores; Fabiano foi grande

Cá está outro: James marcou um bom golo e voltou a brilhar


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O JOGO Online - Porto vs Feirense



A figura: James 7

Uma arma que há muito não é secreta

Vítor Pereira teima em deixá-lo no banco, e o colombiano não se cansa de gritar que merece ser titular. Ontem, até entrou timidamente para uma posição híbrida entre a ala e o meio, que o confundiu mais a si do que aos adversários. Na segunda parte ganhou asas para desbravar caminho e transformar-se na arma que há muito deixou de ser secreta. Primeiro isolou Janko para que este sofresse falta para penálti; a seguir, de livre, tirou as medidas à cabeça de Maicon e ofereceu-lhe o golo; por fim marcou na sequência de um lance que ele próprio iniciou ainda no seu meio campo. Com tanto brilho, é fácil esquecer os dois golos desperdiçados (45' e 61'). A sua inteligência e a sua capacidade técnica são grandes de mais para caber no banco de suplentes.

-

Bem, penso que disseram tudo. Ouviste, Vitinho?

Nota também para Maicon que foi, claramente, um dos melhores da noite.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Simplesmente James


James a promessa que marca mais

PEDRO MARQUES COSTA
Ainda não está no topo do mundo, mas caminha para lá chegar rapidamente. James não pára de ultrapassar barreiras e o mais recente golo marcado frente ao V. Guimarães coloca-o desde já como o melhor marcador do FC Porto no campeonato. Mas há mais: os oito golos apontados na prova também o transformam no melhor marcador sub-20 dos seis principais campeonatos europeus.
Por cá, Rodrigo, do Benfica, é o que mais se aproxima de James, com seis golos, enquanto nos principais palcos europeus é o belga Eden Hazard quem está mais perto do jovem colombiano, com sete golos marcados no campeonato francês (ver quadro ao lado). Curiosamente, ainda esta semana saíram notícias a anunciar que o Lille terá recusado uma proposta do Chelsea pelo avançado no valor de 35 milhões de euros, menos dez que a cláusula de rescisão do colombiano...
Um pormenor que não serve para desviar do essencial: James está mesmo a realizar uma grande temporada, confirmando as excelentes indicações que tinha deixado durante o primeiro ano no FC Porto. Na comparação entre as duas épocas percebe-se ainda melhor a evolução do internacional colombiano: na primeira época marcou dois golos na Liga, este ano já leva oito; com pouco mais de meio campeonato disputado, também já realizou o mesmo número de partidas a titular (10); e está apenas a 70 minutos de ultrapassar o registo de tempo de jogo da última temporada.
São também estes números que ajudam a transformá-lo num dos jogadores mais promissores a nível mundial, sendo ainda mais impressionante a sua capacidade goleadora, ele que até parecia estar mais talhado para os oferecer. Na lista que apresentamos, faltam ainda nomes importantes como o espanhol Thiago Alcântara (Barcelona) ou o alemão Mario Gotze (Borússia de Dortmund), que marcaram um e cinco golos, respectivamente.
Nesta altura, falta apenas responder a uma questão: até onde conseguirá chegar James? Vítor Pereira disse, recentemente, que também não sabia a resposta; tudo porque "James não tem limites", explicou o treinador.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Há Muito Tempo Atrás...


Porta 19

Neodragologismos: Fucilitar

PONTAPEADO POR JORGE 17 DE JANEIRO DE 2011
“Fucilitar”


v. trans.
1. Transformar uma situação em que um indivíduo que possua talento natural mais que suficiente para a ultrapassar sem dificuldades num caso sério de perigo para a sua integridade profissional e moral.
s.m. 
2. Agir como Fucile.


-

Tenho pena que ele se tenha ido embora. É um rapaz com talento, apesar de todas as condicionantes. Pelo menos, prefiro o talendo badboy dele à inépcia sentimental do Sapunaru. Mas são escolhas. Escolhas de Vítor Pereira...

Taças Tugas




FC Porto - Estoril. Num jogo bem disputado e em que o Porto dispôs de inúmeras oportunidades mas concretizou apenas uma. Bolas aos postes, para as couves ou defendidas de forma incrível pelo guarda-redes adversário, a vantagem acaba por ser magra, tendo em conta o caudal ofensivo dos dragões.

Contra o Vitória de Guimarães, há que marcar, finalizar com maior acerto, ou os azuis-e-brancos poderão estar em maus-lençóis. Ainda assim, foi um jogo interessante de se ver. Kléber voltou a demonstrar inépcia, Varela é o reforço de Inverno e James continua a ser o melhor de um grupo órfão de Hulk, juntamente com o herói de ontem, o Palito Álvaro Pereira.

Bracali: é substituto à altura de Helton;
Maicon: continua a ser aposta segura mas insuficiente para altos voos; Danilo ainda não jogou; 
Otamendi volta a impor-se,
Mangala: tem de recuperar a forma física;
Álvaro Pereira: lembram-se do anúncio das pilhas Duracel? Este rapaz é assim: corre, corre, corre... e volta a ser o GRANDE Álvaro Pereira, o herói da banda esquerda, o motor da glória portista.
Souza: agradou-me muito, até deu uma perninha no ataque (para o qual tem talento, diga-se);
Moutinho: esteve bem sem estar brilhante;
Defour: esteve bastante ausente; 
Varela: ressuscitou, mas tem ainda um longo caminho a percorrer;
Kléber: esteve em campo?
James: saiu na altura em que era o grande dinamizador do ataque e quase marcava;

Cristian Rodríguez: é habilidoso, mas falta-lhe cabeça; ainda assim, abanou o jogo;
Belluschi: começa a irritar, tem pés e cabeça para muito mais;
Iturbe: o jogo correu-lhe bem e animou os adeptos com duas acções, uma de garra e a outra de talento.



Benfica - Santa Clara. Jogo algo aborrecido, com poucas ocasiões criadas, mas no qual as águias foram justas vencedoras. O grande destaque foi a estreia do jovem Nélson Oliveira no que toca aos golos, baptismo merecido pelo jogo que fez. Num desafio em que a maioria dos titulares revelaram inépcia para chegar à vitória, as substituições efectuadas revelaram-se decisivas.

O Benfica apresentou um onze recheado de suplentes, mas estes revelaram-se incapaz de superar o Santa Clara, presenteando-nos um jogo rico em péssimas recepções de bola, passes falhados e oportunidades desperdiçadas. O único da linha atacante que se salvou foi mesmo Nélson Oliveira, sempre o mais activo e inconformado, com passes de morte desaproveitados pelos colegas. Nolito foi ser o grande destaque pela forma como revolucionou o jogo.

Eduardo: jogo sem grande trabalho, ainda assim decisivo quando chamado a socorrer a equipa.
André Almeida: o talento está lá, precisa apenas de mais jogos e confiança.
Miguel Vítor: espanta-me que não ultrapasse Jardel nas escolhas de JJ, para mim seria o 3.º central.
Jardel: jogador fraquinho que se vai mantendo vivo nas opções do treinador; não comprometeu.
Capdevilla: jogo muito positivo; com a confiança do treinador, seria claramente primeira opção.
Javi García: um muro intransponível, grande jogador!
Gaitán: precisa de confiança e de ser mimado para voltar a ser o grande jogador que é;
Bruno César: jogou a 10, mas revelou enorme deficiência em inúmeros aspectos do jogo;
Matic: jogou numa das alas e convenceu, provando a sua polivalência e óbvio talento; saiu esgotado;
Saviola: tem de jogar mais, foi uma sombra de si mesmo - este não é Saviola, o craque;
Nélson Oliveira: mereceu o golo, pois foi o melhor em campo até à entrada de Nolito; talento enorme!

Witsel: marcou um golo e foi o médio que Bruno César não foi (mesmo tendo substituído Matic);
Rodrigo: entrou por Gaitán, uma nódoa, e ajudou a dinamizar o jogo;
Nolito: fez em 20 minutos o que Saviola não tinha feito em quase 70; foi claramente o melhor em campo, dando uma volta de 180º ao jogo e empurrando a equipa para a vitória; BRILHANTE.





Real Madrid - FC Barcelona. Ronaldo ganhou a Messi, Guardiola bateu Mourinho. No final, quem sorriu foram os catalães, que levam uma importante vantagem para a segunda volta, no Camp Nou. O técnico português pôs o autocarro e apresentou algumas surpresas. O treinador azulgrana manteve-se fiel a si mesmo. 

Carvalho cumpriu, provando mais uma vez ser um dos melhores centrais do Mundo. Pepe comprometeu, e de que maneira. Coentrão fez um bom jogo. Ronaldo foi o melhor jogador blanco, juntamente com Casillas. Destaque para a forma como o CR7 calou os críticos com um bom golo. Veremos se os merengues conseguem surpreender o Mundo com uma vitória no terreno do Barça, embora isso seja altamente improvável. Vamos acreditar que pode acontecer.



Não vi o jogo do Sporting, pelo que não posso comentar. Contudo, deixo aqui a minha opinião sobre o triste episódio do pénalti falhado pelo Bojinov:

Veio logo à lembrança de todos o caso de Sá Pinto e Liédson, em que o marcador oficial era o luso-brasileiro e o português se apropriou da bola e marcou ele a grande penalidade; o levezinho não festejou. Diferenças para o caso do 7 búlgaro: Sá Pinto concretizou a oportunidade; não era um lance determinate para o desfecho da partida, ao contrário da polémica mais recente; a intenção de Sá Pinto era distinta (para pior).

Assim, o que abona a favor de Bojinov (e denigre a imagem do irreverente Sá Pinto) é a intencionalidade da insubordinação. O português quis para si a responsabilidade de marcar o pénalti pela glória e orgulho pessoais; sempre foi esse o perfil dele. O búlgaro queria empurrar a equipa para a frente, levá-la a vitória, devolvê-la ao trilho dos triunfos; fazer as pazes com os adeptos, assumir-se como aposta importante, ajudar a equipa a reconciliar-se com o público. Quis carregar nos seus ombros o peso do Mundo, assumir-se como o líder que guia a equipa em direcção à luz. Falhou, mas arrependeu-se de imediato. Deve ser sancionado, como é óbvio. Mas também perdoado.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Ponta-de-lança Precisa-se!

FC Porto venceu com dois golos ao cair do pano

Cristian "Cebola" Rodríguez foi o Homem do Jogo

FC Porto 2-0 Marítimo. A exibição foi de encher o olho e o vendaval atacante foi absolutamente memorável. Espantoso o paradoxo portista: antes, não jogava nada e goleava; agora, esmaga o adversário e golos... nem vê-los!

Olhós pontinhos!
O Benfica tinha ganho, e com muita justiça, na véspera, pelo que era absolutamente necessário ganhar para não perder as águias de vista. Assim, o Dragão viu a equipa do seu coração entrar pressionante, embora algo apática. O futebol praticado na primeira parte foi fraco e até foi o Marítimo que mais perto esteve do golo, tendo Helton sido salvo pela barra numa noite em que não teve de fazer praticamente nada. Contudo, a história foi completamente diferente no segundo tempo.

E (quase) tudo o vento levou
O furacão Porto só chegou na segunda metade, com a equipa azul-e-branca a encostar o Marítimo às cordas. Os madeirenses não tinham para onde se virar, de tão sufocantemente apertados que estavam pelo dragão. Belluschi foi o rosto dos nortenhos: bom futebol, imensa vontade, mas inacreditavelmente perdulário frente ao guarda-redes. Por exemplo, quem tenta fintar o guarda-redes em vez de rematar à baliza?? Se não és um Messi/Ronaldo ou outro que tal, esquece, meu amigo - o importante nestas situações é marcar, não enfeitar a jogada!
Por estas alturas, os adeptos portistas retomavam as rezinhas da presente época: "por favor, diz-me que a saída do Falcao foi um sonho e que ele ainda está aqui!...". Hulk não rende tanto ao meio, pois deixa de ser o jogador explosivo e intratável que tão bem sabe interpretar na ala. Mas se não for ele a ocupar o eixo do ataque, quem o faz? Kléber? Walter? VP decidiu tirar James (lesionado) e meter Kléber, desviando o Incrível a extrema-direita. Porém, jogar com o brasileiro é como jogar com dez... E ontem, como é hábito e para não variar, não marcou - grande surpresa, hem?

Redenção
Cada bola que ia para a baliza parecia ser dirigida por um controlo remoto, de modo que ora era defendida por um enorme Peçanha, ora ia miraculosamente para fora. Foi aí que entrou o salvador da pátria Invicta há 52 jogos:  nada mais, nada menos que Cristian Rodríguez, aquela Cebola que andava a tresandar desde há uns dias e que, ontem, perfumou o Dragão com um golo. Não obstante, não se pense que a redenção do uruguaio se resume ao tento que marcou: mal entrou, revelou-se activo e participativo, com "ganas" de mostrar serviço e empurrar a equipa para a vitória. Venho dizendo já há uns dias que, em condições normais, neste momento, ele ganha o lugar a Varela, que está um caco. Este jogo veio confirmar a minha teoria.
Do primeiro ao segundo tento, foi um instantinho: Otamendi incomoda Briguel e este, desamparado, introduz a bola na própria meta. E não se pense que a missão vitoriosa do Porto foi facilitada pela expulsão de Roberge: de facto, o Marítimo teve imenso mérito na maquilhagem da inferioridade numérica, defendendo com unhas e dentes o pontinho que quase conseguiram arrancar ao dragão. Foi pena não terem jogado olhos nos olhos com os azuis, mas a sua exibição e resistência ficou positivamente na retina. Note-se que com o Benfica atreveram-se a atacar, mas connosco não - pudera, com um Otamendi gigantesco, nem sequer tiveram possibilidade!

O Porto Um a Um
Helton (0) - nada para fazer.
Maicon (0) - bem a defender, mostrou limitações quando era necessário atacar; bem substituído.
Rolando (0) - desculpem, mas eu não consigo gostar deste cepo; ainda assim, jogo bem conseguido.
Otamendi (+2) - brilhante no posicionamento, corte, antecipação; não fosse aquele lance com Danilo...
Álvaro (+1) - menos exuberante que é costume, faltou precisão nos cruzamentos.
Fernando (+2) - vai a todas, não falha uma; acabou a lateral-direito, mostrando que sabe atacar.
Moutinho (+2) - é mais recuado que ele melhor joga, pensando toda a dinâmica de ataque portista.
Belluschi (+1) - jogo bonito mas demasiado perdulário, é penalizado pelas asneiras na finalização.
Djalma (0) - ao seu jeito trapalhão, lá vai fazendo as coisas; bem substituído, não dava mais.
James (+2) - até à lesão, semeou o pânico com passes de morte e jogadas fabulosas; o melhor até então.
Hulk (0) - esqueçam, o Verdocas é extremo; podia ter aparecido muito mais, o Porto bem precisava...
Kléber (-2) - a nabiça ambulante voltou a ser um zero à esquerda, o que já nem é nenhuma novidade...
Iturbe (+1) - hehe, partiu-os todos ;) o miúdo é muita bom e é óptimo ver que VP conta com ele.

Homem do Jogo
Cristian Rodríguez (+2) - Mal entrou, mostrou que estava com fome de bola e de golos, com enorme vontade de fazer as coisas bem e reconciliar-se com os adeptos e o treinador. Assim foi, e o seu esforço (e talento, há que admitir) levou a melhor sobre o negrume dos últimos tempos, impulsionando-o para uma exibição de encher o olho, partindo a defesa do Marítimo. É bom ter o Cebola de volta, e espero que VP compre um ponta-de-lança, faça Hulk voltar à ala, atrase James para a posição 10 e a extremo-esquerdo... coloque o renovado Rodríguez. Parabéns, rapaz!

Rodríguez foi decisivo

Belluschi fez um grande jogo

Iturbe deixou os adeptos com água na boca

Hulk voltou a ser uma sombra de si próprio

James foi o melhor até se lesionar

Otamendi foi o patrão irrepreensível da defesa portista

Notas Finais


ITURBE
Desta feita, deu para ver o craque argentino com mais atenção e tempo e devo dizer que as sensações foram deveras agradáveis. Messi só há um, vive em Barcelona e joga pela formação blaugrana, e Iturbe ainda vai ter de comer muita sopinha para chegar aos calcanhares da Pulga ou do CR7, os dois melhores jogadores do Mundo. Porém, se trabalhar e se lhe forem dadas oportunidades regulares, chegará perto das duas maiores estrelas do futebol mundial. Ontem, pudemos deleitar-nos com a sua magia, tendo o rapaz partido os rins à defesa maritimista - especial destaque para um lance aos 90'+2' (0:27 no vídeo abaixo), em que deixou os adversários completamente à nora. Mas não foi o único lance de belo efeito pelo jovem argentino, que promete deixar-nos rendidos ao seu futebol durante os próximos tempos. 
O toque de bola é fenomenal, a recepção é impecável, o remate potente (mais ao jeito de Cristiano) e a finta deliciosa, pelo que temos aqui um jogador para acarinhar e elevar ao nível mundial. Talvez um dia, quem sabe, se torne o Melhor Jogador do Mundo. Ou não. De qualquer modo, tenho já a certeza de que será um grande jogador. Até aí, desfrutemos do seu talento.


James Rodríguez
A lesão do James Bond Rodríguez preocupa qualquer portista. O colombiano está em alta, tendo recuperado a garra, vontade e toda a magia do seu futebol. Ontem, teve de ser substituído pela Nabiça Ambulante e tal facto tirou ao Porto um jogador importante, tendo até parecido que jogávamos com menos um. Esperemos que a lesão não seja grave, pois este miúdo é mesmo muito bom e decisivo para os dragões, que bebem muito do seu talento. E como gostaria de ver um trio de ataque Iturbe-PL-Hulk com James a 10, nas costas do ponta-de-lança!

sábado, 17 de dezembro de 2011

Por que... James deve ser 10

James Rodríguez

Hoje joga-se o tão esperado FC Porto - Marítimo, o duelo entre o campeão nacional e líder da Liga e a equipa-sensação, surpresa essa assente no trabalho feito ao longo dos anos e pelo seu prometedor treinador. Mas o destaque do jogo, para mim, não será o embate em si, pois estou confiante na vitória do meu Porto. Aquilo que mais quero ver é James Rodríguez a 10. O prodígio colombiano pensa e joga como médio e, na posição que é verdadeiramente a dele, poderá vir a tornar-se o jogador mais importante da formação azul-e-branca.

Anatomia atacante
Numa equipa com extremos, os dois jogadores devem ter características diferentes, de modo a conferir maior equilíbrio e diversidade de movimentos à equipa. Enquanto um deve flectir mais para o meio, aparecendo na zona de finalização ou entrando na área para fazer o dito passe de morte, o outro deve procurar mais a linha de fundo, emprestando maior profundidade à equipa e procurando o centro para a cabeça do ponta-de-lança ou o cruzamento raso à espera que alguém apareça à boca da baliza, geralmente o extremo contrário.
Vejamos: no Real Madrid, Di María é o extremo que mais procura a linha de fundo, centrando com enorme precisão pelo ar ou pela relva; Ronaldo flecte mais para o centro, aparecendo inúmeras vezes na zona de finalização, geralmente para encostar os passes do colega. De facto, Angelito é já o máximo assistente de La Liga e o CR7 é o melhor marcador de sempre da Liga Espanhola. Números de monta que comprovam aquilo que digo: El Fideo e Cristiano complementam-se perfeitamente.

Mescla e salgalhada
No Porto, Hulk é um jogador que procura muitas vezes o centro do terreno, optando pela finta e remate-bomba, pela jogada individual ou por entrar na área e endereçar o passe de morte. Também Djalma é assim, embora com (muito) menos talento e perícia. Assim, na ala oposta, deve morar um jogador de características distintas, um extremo que leve a bola até à linha de fundo, ganhe cantos, centre para a área... Nunca James. Porquê? Porque El Bandido tem um estilo parecido como de Hulk (diferente, obviamente, pois têm características completamente díspares, mas faz os mesmos movimentos-base).
Assim, o miúdo e Hulk acabam por confundir papéis, fazendo ambos as duas coisas: ora flectir para o meio, ora buscar a linha de fundo. Isto desequilibra a equipa, pois os movimentos de ambos tornam-se demasiado previsíveis e, não podendo cada um fazer quase somente a sua especialidade, acabam por desempenhar uma função em que nunca serão tão bons. Então com Djalma à direita e o Incrível a ponta-de-lança... bem, nem quero falar nisso. O que acontece é que os dois deixam de ter total rendimento para ter apenas parcial, uma parte de tudo o que podem fazer e que é fabuloso. A equipa perde dinâmica atacante e qualidade de passe, drible e criação de ocasiões. 

Extremo 10
Chegamos, então, ao derradeiro capítulo: por que o prodígio cafetero deve ser 10. O James Bond portista não empresta profundidade suficiente ao flanco esquerdo do ataque azul-e-branco, não só por ser um jogador de flectir mais para o meio, mas também por não ser um extremo. As suas características gritam-no, mas parece que Vítor Pereira ainda não teve coragem suficiente para o pôr no seu verdadeiro habitat: o meio.
Analisemos as suas características:
Passe: 8/10
Drible: 8/10
Visão de Jogo: 9/10
Repentismo: 7/10
Explosividade: 7/10
Cruzamento: 7/10
Velocidade: 7/10
Imprevisibilidade: 8/10
Criatividade: 9/10
Como podem ver, não tem a velocidade de um extremo, ou a sua capacidade de centrar, ou mesmo a explosividade que se requere, tal como o repentismo. Contudo, a visão de jogo é exímia, assim como a criatividade, brilhando também nos capítulos do passe, drible e imprevisibilidade, características essenciais a um médio-criativo. E é, efectivamente, a 10 que o colombiano mais rende. O Porto precisa, neste momento, de alguém que complemente Moutinho: o português organiza o jogo de equipa e tem uma grande capacidade de passe e excelente visão de jogo, mas falta-lhe a criatividade que sobra em James. Belluschi falhou nesta missão e Defour está lesionado, além de ser demasiado semelhante a Moutinho; Guarín nunca poderia desempenhar esta função e sobra... ninguém. Excepto James.

Queima Dragão!
Hoje é o tão esperado confronto, o último para o Campeonato até ao Natal. Quero ver James a 10. É lá que ele consegue realmente explanar toda a sua qualidade e perfumar o terreno de jogo com a magia do seu futebol. Foi lá que ele jogou e brilhou pela Selecção Sub-20 da Colômbia e que joga e brilha pelos AA colombianos, tendo sido o Homem do Jogo nos desafios que disputou pelos graúdos. Era lá que ele jogava no Banfield, tendo sido campeão argentino. VP que ponha Varela ou Rodríguez à esquerda, não quero saber, ambos darão conta do recado. O que é importante é verificar o salto qualitativo que o desvio do miúdo para o meio dará à equipa. Porque é lá que James Rodríguez se tornará um dos Melhores do Mundo.

O ano passado baptizou James...
...e tornou-o uma grande promessa

Brilhou com a Colômbia no Mundial sub-20

Agora, é uma certeza

É artista...

...e feiticeiro com a bola nos pés


No ano passado, James tornou-se o menino bonito... 
...de uma equipa que só sabia ganhar

Agora, tem de se impor numa equipa a tremer...

... e para isso deve ser 10 
Afirmou-se com o hat-trick na final da Taça de Portugal

Tornou-se estrela após ser escondido por muito tempo

James é 10 e é nessa posição
que vai reacender a chama do Dragão!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Prémio de Consolação Para Grande Exibição

FC Porto foi relegado para a Liga Europa

James foi o melhor em campo para a equipa portuguesa

FC Porto 0-0 Zenit. Se a equipa se tivesse exibido ao nível do que nos tem vindo (infelizmente) a habituar, este empate não teria grande impacto nos corações dilacerados de todos os portistas. Porém, o magríssimo resultado obtido foi um balde de água fria após a exibição grandiosa que os nossos rapazes rubricaram no Dragão. A Liga Europa, essa, é o cinzento prémio de consolação para a melhor exibição da época, em que não fomos mais longe devido ao problema diagnosticado logo no início da época: a carência de um matador.

Foi assim que aconteceu
Foi de uma dor excruciante ver os nossos miúdos deitados sobre a relva, destroçados, chorando o facto de não nos termos apurado para a Liga dos Campeões. Ainda mais horrível saber que a única coisa que faltou foi um golo, um mísero golo, plenamente justificado e merecido pelo modo como a equipa jogou. Nos últimos dois jogos, houve esforço e vontade; neste, essas duas virtudes somaram-se à inspiração e ao jogo a que os dragões nos habituaram no ano passado: inspirado, intrincado, atacante, fluído, belo.
Foi espectacular ver um atentíssimo Helton a afastar as (poucas) bolas que chegaram perto da sua área, acertadíssimo Otamendi a voltar aos tempos de glória, um inconformado Álvaro a correr de forma endiabrada, um aguerrido Maicon a calar os críticos, um metódico Fernando a recuperar todas, um cerebral Moutinho a assinar um belíssimo jogo, um desinspirado Defour a lutar por inspiração, um outrora desastrado Djalma a exibir-se em grande nível, um inatacável (anteriormente nabiça ambulante) Kléber a tabelar com os colegas, um veloz Varela a fazer pela vida, um criativo Belluschi a ajudar a equipa e um maravilhoso James a evidenciar-se na sua melhor posição, a 10, fazendo a cabeça em água aos adversários. Até o normalmente nabíssimo, pobríssimo e foleiríssimo Rolando mostrou que pode continuar na equipa!

O elo mais fraco
Esperem, falta um nome. Ah, pois. O "Incrível". Aquele que, na noite em que mais precisávamos, não apareceu. Ou melhor: apareceu demasiado. Quando a equipa mais precisava do fabuloso Hulk dos últimos encontros, o super-herói decidiu alhear-se do espírito colectivo que imperava no Templo do Dragão e reclamar a bola só para si, insistindo em fintas, dribles e remates disparatados. A equipa bem podia ser Hulk mais onze, se ele se apercebesse de que está incluído nisso mesmo: numa equipa, e passasse a bola aos outros, sem tentar fazer tudo sozinho. Exemplo: já bem perto do fim, quando o Porto procurava desesperadamente um golo, Hulk recebe a bola na ala esquerda, envereda por meia dúzia de fintas e, com vários colegas soltos na área e em boa posição para receber e rematar a bola para dentro das redes, o Verdocas faz o impensável: um tiro estupidamente absurdo sem ângulo absolutamente nenhum, que foi parar, como não podia deixar de ser, às nuvens. Estupor...

Peso pesado
Mas a chave deste jogo não foi a falta de um avançado de jeito ou a individualidade burra que nem uma  porta de Hulk. Não: a chave deste jogo foi precisamente o guarda-redes adversário, um tipozinho irritante de nome Malafeev. Peço desculpa pelos insultos, não são contra o homem, pois tenho-lhe toda a consideração, respeito e admiração. Os insultos são contra a grandiosa, estupenda, maravilhosa, magistral actuação do rapaz entre os postes e fora deles. Foi a noite da vida dele, sem dúvida. A bola queria, desesperava por entrar, mas lá aparecia o gigante russo a dar-lhe uma desfeita com uma patada. Mãos, braços, barriga, pés, tudo servia para amargurar os corações azuis-e-brancos que assistiam ao jogo em agudo sofrimento. Uma vénia ao nosso maior inimigo da noite. Parabéns e que tudo te corra bem na Champions. Mas esse lugar devia ser nosso...

Casa dos Segredos
Devo dizer que Vítor Pereira me mereceu ontem muito respeito. Armou a equipa da melhor forma, potenciando ao máximo um pouco talentoso Djalma (que arrumou definitivamente Varela com uma grande primeira parte), substituindo da melhor forma um lesionado Defour e percebendo o mal da equipa no primeiro tempo.
Hulk não é ponta-de-lança. Com equipas que jogam a la italiana, como este triste Zenit, que se pôs todinho à defesa, o o Incrível simplesmente não aparece. E depois, talvez deitado abaixo pela péssima exibição ao meio, repetiu a dose nas alas. Inteligentemente, VP compreendeu que era necessário um ponta-de-lança na verdadeira concepção da palavra. Assim, tirou Defour, lesionado, e meteu Kléber, empurrando Hulk para a ala e atrasando James para as costas do ponta brasileiro. Djalma, que perdera fulgor no segundo tempo, foi substituído por Varela, que entrou com ganas, e tudo se compôs para uma grande segunda metade.
Ver James no centro foi para mim um prazer enorme. Sempre disse que ele era 10 e não extremo e ontem provou isso mesmo. Com todo o respeito ao Belluschi, um jogador que, por sinal, me agrada bastante, espero que esta lesão de Defour dê espaço ao miúdo e não ao argentino. Porque um Porto com James como médio-criativo é um Porto mais contundente, ofensivo, perigoso, mágico. É, no fundo, um Porto muito mais à Porto. A posse de bola torna-se mais empolgante, cada passe mais imprevisível, cada finta mais deliciosa de se ver. Por favor, Vítor Pereira, desloca o James Bond para o meio, pois é ali que ele se torna tremendo jogador que sabemos ser. Desde o momento em que foi colocado ao centro, nas costas de Kléber, o colombiano foi um enigma absolutamente indecifrável e irresolúvel para a defensiva russa. Só faltou o golo...

Quem quer ser milionário
No fim de tudo, todos chegamos à conclusão de que o apuramento não nos fugiu neste jogo, mas sim no da Rússia (com o mijão em grande plano) e nas duas partidas contra o APOEL, em que não soubemos ser mais humildes e ferozes, olhar os cipriotas como se fossem um Real Madrid ou um Barcelona, porque é isso que se deve fazer sempre, seja com um dos dois colossos espanhóis, com o APOEL ou com a Juventude de Évora. Todos os jogos são para ganhar e dar o melhor dos melhores. Sem conversas.
Outra das conclusões, e também por demais evidente, é a falta de um ponta-de-lança digno desse nome. Não quero entrar em repetições ou fazer os corações portistas chorar de saudades, mas... o que nos falta é Falcao. Estava ontem a ver o jogo e a pensar: "Se cá estivesse cá o Falcao, não tinham levado um, tinham levado quatro ou cinco!"; e punha-me a imaginar que era ele a tabelar com James e Moutinho e que era ele a rematar aquelas bolas todas - e que era golo...
No final, feitas as contas, o Zenit quis mais ser milionário do que toda a nossa equipa junta, pois eles deram o litro não só neste jogo, como em todos os outros. Foi isso, sem qualquer sombra de dúvida, que os fez garantir o apuramento que devia ter sido nosso. O demérito foi anterior a este jogo e o mérito que com esta belíssima exibição recuperámos não foi suficiente para encobrir aquela mancha enorme no nosso passado mais recente. Que continuem a jogar assim, tão maravilhosamente bem, daqui para a frente...
Apesar de tudo, digo pela primeira vez esta época com toda a convicção: tenho orgulho nestes rapazes!

O Porto Um a Um
Helton (0) - quase sem trabalho; nota para aquele corte artístico absolutamente decisivo; atentíssimo.
Álvaro (+1) - o bom velho Palito, sempre a correr, um quebra-cabeças diabólico para os adversários.
Rolando (+1) - exibição personalizada e sem mácula, a afastar o perigo da baliza portista.
Otamendi (+1) - acrobático e agressivo como sempre, foi tão bom ou melhor que o companheiro.
Maicon (+2) - calou os críticos: impecável a defender e dinâmico a atacar; ganhou o lugar!
Fernando (+1) - limpou tudo e mais alguma coisa, que mais ninguém critique esta vassoura de ouro.
Moutinho (+2) - jogo espectacular do anão, cerebral, eléctrico e genial com a bola; um GIGANTE!
Defour (0) - estava a fazer uma exibição algo apagada, mas esforçada, até sair lesionado.
Djalma (+1) - primeiro tempo endiabrado, quase marcava; saiu esgotado após grande exibição.
Hulk (-2) - se nos últimos jogos foi o melhor, neste foi claramente o pior. Horrível.
Kléber (0) - esforçou-se e a sua entrada galvanizou a equipa, mas faltou (e falta) "Falcaonidade".
Varela (0) - já perdeu o lugar, mas continuou a correr e a tentar ajudar; inconsequente.
Belluschi (0) - trouxe maior criatividade, mas o desespero já era tanto, que não fez qualquer diferença.

Jogador à Porto
James (+3) - A primeira parte foi boa, mas não se compara à segunda. É ao meio que James poderá tornar-se um dos melhores jogadores do Mundo dentro de dois/três anos. Naquela posição, o pequeno prodígio traz criatividade, imprevisibilidade, juventude e diabrura à equipa. Com ele a 10, o Porto tornou-se verdadeiramente perigoso e brilhante, com aquela dose de genialidade que falta a Defour e que El Bandido transporta às carradas. A defesa do Zenit nunca descortinou o mistério James e sofreu muito por isso, tendo sido salva pelo gigantesco Malafeev, o Homem do Jogo. Só faltou o golo - ou ter Falcao à frente.

Malafeev foi o Homem do Jogo

Hulk foi o destaque negativo do lado portista:
foi demasiado individualista para o bem dos dragões

Djalm foi a afirmação: primeira parte sensacional

Maicon foi a confirmação: secou Danny


Um onze que nos dá todas as garantias para o futuro.
Cima: Helton, Fernando, Rolando, Maicon, Otamendi, Hulk;
Baixo: Moutinho, Djalma, Defour, Álvaro Pereira, James.

Faltou um matador (Falcao)...

Danny foi o lado negativo do lado russo:
mostrou não ter qualquer respeito ou educação