sexta-feira, 6 de abril de 2012

Ibéria League



2010/2011, 2011/2012. Nas duas últimas edições da Europa, todos os finalistas saíram da Península Ibérica. Na época passada, foram três clubes portugueses e um espanhol; nesta, a façanha foi invertida. E já estamos em quinto no ranking UEFA... É obra! 

2009/2010
É como que o prelúdio de um crime, o prenúncio de algo glorioso. No primeiro ano do novo formato da segunda competição da UEFA, a nossa península teve três equipas nos quartos-de-final, com o Atlético de Madrid a bater o Valência e o Benfica a perder para o Liverpool. Os rojiblancos seriam campeões.

2010/2011
Época gloriosa para o futebol português e para um tigre colombiano chamado Radamel Falcao. Lembram-se dele, claro. Nessa época, três clubes portugueses figuraram entre os quatro semi-finalistas da Liga Europa, acompanhados do espanhol Villarreal. O Braga bateu o Benfica e o Porto afundou o Submarino Amarelo. Final 100% portuguesa, FC Porto no auge da Europa futebolística.

2011/2012
Curiosamente, este ano, os dois finalistas da edição anterior nem sequer entraram para os quartos-de-final. Porém, tivemos um digno representante no Sporting, que avançou para as meias-finais. E, em jeito de vingança pelo ano passado, três clubes espanhóis contra um português. De pouco importa: Portugal é já uma das duas potências da Liga Europa, a par da irmã Espanha. E isso é de louvar!


Sporting CP
A formação leonina atingiu já 5 meias-finais europeias, a mais recente esta época, sendo que disputará o passe para a final da Liga Europa, contra o Athletic Bilbau. A sua maior jornada europeia até hoje foi na época 2004/2005, em que os leões atingiram a final da Taça UEFA, perdendo para o CSKA de Moscovo. Já ganhou uma Taça das Taças (1963/1964), porventura o título mais importante conseguido. No seu currículo vem também a Taça Intertoto de 1968 e foi segundo na Taça Latina de 1948/1949.
Hoje em dia, os destaques por sector são Insúa e João Pereira na defesa, Matías no meio-campo e Capel e Ricky no ataque. A figura maior da equipa, e grande herói da caminhada europeia do Sporting, é o guarda-redes internacional português, Rui Patrício.


SC Braga
O Sp. Braga tem um palmarés menos rico na Europa que os outros grandes portugueses, porém já demonstrou que veio para ficar. No currículo figuram a Taça Intertoto 2008 e o segundo lugar da Liga Europa, perdida precisamente contra o co-nortenho Futebol Clube do Porto. Já em termos caseiros, a coisa muda de figura, estando o Braga na contenda pelo título nacional - a jornada que aí vem é decisiva...
Por hora, nota muito positiva para o muro Quim, na defesa Ewerthon é o grande destaque e Alan faz mossa no ataque, tal como o português Hélder Barbosa. Contudo, as grandes figuras do plantel são o goleador Lima (melhor marcador da Liga ZON Sagres) e o médio genial Hugo Viana, capitão e pilar absoluto da equipa.


SL Benfica
O Benfica tem uma história rica na Europa. Duas Taças (Ligas) dos Campeões, nas épocas 1960/1961 e 1961/1962, tendo ficado em segundo lugar por cinco vezes: 62/63, 64/65, 67/68, 87/88 e 89/90. Em segundo lugar ficaram também, por duas vezes, na corrida à Taça Intercontinental: 1961 e 1962. Em relação à Taça UEFA, foram à final na época 1982/1983, tendo também sido um dos semi-finalistas (batido pelo Braga) na época histórica de 2010/2011. Nota para o facto de o Benfica ser o clube português com mais títulos caseiros e o segundo com mais títulos nacionais e internacionais.
Artur tem-se afirmado como um grande guarda-redes, Luisão é o patrão da defesa, e as águias têm em Maxi um lateral-direito de craveira mundial. No meio-campo, Javi é um autêntico muro, e no ataque, jogadores como Gaitán, Nolito, Bruno César e Cardozo são assustadores para qualquer adversário. Porém, é no génio de Aimar que se encontra maior destaque; o argentino com pézinhos de lã é o motor criativo dos benfiquistas, sendo que, com ele em campo, o futebol encarnado parece mais perfumado.


FC Porto
O Porto é o clube naiconal com mais títulos. Em relação à Europa, tem duas Ligas dos Campeões (a primeira ainda na época em que a competição se chamava Taça dos Campeões): 1986/1987 e 2003/2004, os dois anos de maior glória na história do clube, com dois treinadores lusos: o histórico Artur Jorge e aquele que é, muito provavelmente, o melhor treinador de todos os tempos - José Mourinho. Os dragões contam também com duas vitórias na segunda competição da UEFA: 2002/2003 (ainda Taça UEFA) e 2010/2011 (já Liga Europa). Os azuis-e-brancos foram segundos na Taça das Taças de 1983/1984 e contam com uma vitória e três segundos lugares na Supertaça Europeia, respectivamente: 1987, 2003, 2004 e 2011. Atenção também para as duas Taças Intercontinentais, em 1987 e 2004, e para a não oficial Taça Ibérica, em 1935. O Porto é clube português com mais títulos a nível nacional e internacional. Destaque para André Villas-Boas, obreiro da grande época de 2010/2011, e para o grande José Mourinho, por muitos considerado o melhor treinador da história do clube.
Actualmente, Helton é fundamental na baliza, sendo Álvaro Pereira o grande destaque defensivo. Fernando, Lucho e João Moutinho compõem um meio-campo de sonho e, na frente, James Rodríguez é o jogador em melhor forma neste momento, com doze golos na Liga Portuguesa. Todavia, o grande destaque portista, estando na boca dos tubarões todos os Verões, é o Incrível Hulk, poço de potência, velocidade e muito talento.



Radamel Falcao
Destroça defesas com as suas desmarcações e tabelinhas com os companheiros, desfeita guardiões com as suas garras e disparos decisivos. É um dos melhores goleadores dos últimos tempos, sendo um dos mais grandiosos que já passaram por Portugal. Quiçá o melhor cabeceador do mundo, marcou uma época no FC Porto. El Tigre devora balizas, brindando-as com golos de todas as formas e feitios. É, indubitavelmente, o melhor nove puro da actualidade - e teria ainda maior destaque a nível mundial se estivesse num clube menos modesto que o Atleti.
O "9" colombiano é o melhor marcador de uma competição europeia numa só temporada, com 17 golos, tendo os mais marcantes dessa campanha (2010/2011) sido os quatro com que aniquilou o Villarreal na primeira-mão das meias-finais, mais o golo marcado na final da Liga Europa, frente ao Sp. Braga. Leva 26 golos em 28 jogos, com uma média de 0,92 tentos por partida. Um fenómeno!

Rossi

Soldado

Llorente

Falcao


Espanha
Nuestros hermanos são uma reconhecida potência do futebol mundial, com os seus dois maiores colossos, Real Madrid e Barcelona, a ocuparem correntemente os lugares cimeiros das melhores equipas do Mundo. Culés ou merengues, Merengues ou culés, tanto faz. São, simplesmente, as duas melhores equipas do planeta. Mas a glória na Liga Europa não está alicerçada nestes dois gigantes, mas nas equipas de segunda linha do campeonato espanhol.
Villarreal, o único espanhol nas meias-finais da prova do ano passado, e Valência, Athletic Bilbau e Atlético de Madrid, os três nolitos que cercam o nosso Sporting na fase de quatro da corrente época. 
No Villarreal, os destaques são Rossi e Nilmar, no Valência Soldado é rei, no Athletic as estrelas são Llorente e Muniain e no Atlético a figura maior é... nem mais: Radamel Falcao.
Quatro clubes que elevam o nome de Espanha - e da Península Ibérica - nas competições europeias. Os meus mais sinceros parabéns!

Mas agora... força Sporting! Força PORTUGAL!!!


domingo, 1 de abril de 2012

A César o Que é de César, o Campeonato ao Campeão





Jornada 25. E pronto! Voltámos à ordem natural das coisas! O Porto em primeiro, o Benfica como eterno segundo, o Braga em terceiro... e o Sporting mais lá para o fundo. Digo isto sem maldade, com o espírito leve e virado para a brincadeira do comum adepto que vê a equipa do coração a jogar bem e a obter resultados. No final, o desfecho dos dois jogos foi benéfico para o FCP, que regressou à liderança após... uma semana.

Benfica 2-1 Sp. Braga
Desde cedo se sabia que o duelo iria ser interessante de se ver e muito bem disputado. Embora o Braga partisse para o jogo com ligeira vantagem pontual e anímica - primeiro lugar e duas partidas consecutivas dos seus adversários sem conhecer o sabor da vitória -, o embate seria na Luz, e na Catedral... manda o Benfica. Assim foi.
Mas ontem, a Catedral foi um Império. Regressado dos mortos, o imparável quando inspirado Nico Gaitán perfumou o relvado encarnado com o seu futebol prodigioso, a justificar o porquê do interesse dos dois rivais de Manchester. E, como no Império Romano, em que o exército suava e definhava para fazer brilhar o seu líder, o "20" da Luz jogou e encantou para fazer com que o seu (Bruno) César marcasse o golo da vitória.
Realce para a exibição irrepreensível do jovem Miguel Vítor, que apenas deixou passar Lima quando se lesionou, e para mais um jogo apagado de Rodrigo e para a falha de Artur. Capdevilla já merece maior confiança de Jesus e não é que as invenções do técnico das águias funcionaram mesmo??
Nota positiva para o Braga, que nunca desistiu e proporcionou uns minutos finais de grande futebol e emoções fortes. O golo benfiquista ao cair do pano matou os minhotos; contudo, embora o resultado seja o mais justo, os guerreiros nunca se deram por vencidos e provaram ser justos concorrentes ao título. A contenda, apesar do desfecho desta partida, vai continuar a ser a três, e prevejo que assim prossiga por mais anos - e não seria ainda mais belo ver uma luta a quatro, com o Sporting também a disputar o título?

Miguel Vítor esteve perfeito até à lesão

Bruno César marcou o golo da vitória da Águia...

...e acabou por ser herói tardio

Já contra o Chelsea, Nico tinha estado em bom plano

Os marcadores dos dois golos encarnados

FC Porto 2-0 Olhanense
Não, não foram brilhantes - longe disso. Mas pela primeira vez desde há algumas jornadas, os rapazes conseguiram assinar uma exibição deveras agradável, num jogo em que o Olhanense não se resguardou e foi também à procura da vitória, contribuindo para que o Dragão assistisse a um bom espectáculo.
Nota para a dupla de centrais formada por Maicon e Otamendi, a provarem com uma exibição impecável que a sensação de que Rolando estava a fazer uma má época não estava errada: cabo-verdiano no banco, zero golos sofridos. Não pode ser coincidência! James voltou a ser craque: aquela finta de corpo a deixar o adversário pregado ao chão, seguida da colocação perfeita da bola, demonstram-no; além do livre directo que enviou ao poste da baliza de Fabiano, que foi gigantesco. Destaque também para Hulk que, apesar de não ter marcado, assinou uma exibição aguerrida, puxando a equipa para o ataque.
É pena que Lucho renda pouco mais que uma parte inteira, pois o talento, ainda que esteja todo lá, não é explanado na sua totalidade. Mas para rendê-lo está Defour, que acabou por participar na belíssima jogada do segundo golo portista, o qual matou quaisquer aspirações algarvias em obter algum ponto.
Tornou-se ontem óbvio que Lucho não pode ser colocado a "10" e que Moutinho não pode ser o (mais que ridículo) guarda-costas de Fernando. O Polvo, sozinho, chega para elas todas, de tão grande jogador que é. E o mini-tuga torna-se enorme quando se chega à frente, emparelhado com El Comandante. Os resultados estão à vista: golo para o argentino, prémio de Homem do Jogo para o português.
Os laterais que temos são meio amalucados, é verdade, mas de grande qualidade. Sapunaru voltou à grande forma e Álvaro (desta vez mais contido para não levar um amarelo que o deixasse de fora em Braga) continua a martelar os adversários pelo seu flanco. Janko, apesar de não marcar muitos golos, é importante: uma referência na área de peso que permite aos extremos terem mais espaço e o companheiro de tabelinhas dos jogadores azuis-e-brancos. Helton é o mesmo tipo tranquilo de sempre que, quando chamado a intervir, fá-lo com serenidade e eterna competência.
Uma vitória que não oferece qualquer tipo de contestação, com os dragões a voltarem merecidamente ao primeiro lugar do campeonato, dado que têm sido os mais regulares e que, até ver, levam vantagem no confronto directo com os seus rivais ao título. Irá o Porto conquistar o título? A ver vamos.

Lucho foi o autor do primeiro golo portista

Quatro dos cinco grandes destaques dos dragões (por altura)

Hulk não marcou, mas foi dos melhores; Fabiano foi grande

Cá está outro: James marcou um bom golo e voltou a brilhar


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O JOGO Online - Porto vs Feirense



A figura: James 7

Uma arma que há muito não é secreta

Vítor Pereira teima em deixá-lo no banco, e o colombiano não se cansa de gritar que merece ser titular. Ontem, até entrou timidamente para uma posição híbrida entre a ala e o meio, que o confundiu mais a si do que aos adversários. Na segunda parte ganhou asas para desbravar caminho e transformar-se na arma que há muito deixou de ser secreta. Primeiro isolou Janko para que este sofresse falta para penálti; a seguir, de livre, tirou as medidas à cabeça de Maicon e ofereceu-lhe o golo; por fim marcou na sequência de um lance que ele próprio iniciou ainda no seu meio campo. Com tanto brilho, é fácil esquecer os dois golos desperdiçados (45' e 61'). A sua inteligência e a sua capacidade técnica são grandes de mais para caber no banco de suplentes.

-

Bem, penso que disseram tudo. Ouviste, Vitinho?

Nota também para Maicon que foi, claramente, um dos melhores da noite.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

??????

Um FC Porto em declínio?


FC Porto 1-2 Manchester City. Quando até o nosso salvador do costume, Helton, comete um erro grave que dá golo do adversário, percebe-se quão mal a equipa jogou na segunda parte. A primeira foi brilhante; a segunda, desastrosa...

Level 1
Da primeira parte, todos os jogadores se salvam. Helton com um par de defesas fabulosas, Danilo mostrou bom futebol até à lesão, Maicon foi brilhante, Rolando foi bom, Mangala tranquilo, Álvaro endiabrado, Fernando incrível, Moutinho cerebral, Lucho visionário, Varela goleador e irrequieto, James interventivo e perigoso e até Hulk, embora individualista em demasia, foi fundamental. Os dragões souberam encostar o City à sua área, jogando bom futebol e apostando num jogo ofensivo, bonito e sufocante para os adversários. Chegou à vantagem com naturalidade e até poderia ter marcado mais um antes do intervalo, nomeadamente num pénalti não assinalado sobre Hulk. Mas foi então que veio o caos.

Level 2
Álvaro teve um minuto 55 de pesadelo: recebeu um amarelo que o deixa de fora da segunda-mão (o que vamos fazer sem ti, Palito??) e marcou um auto-golo num lance em que Helton lhe gritou que não interviesse. Hulk continuou a desperdiçar bolas atrás de bolas e James foi aprisionado pela defesa do City como uma cria de dragão - que será fenomenal um dia, mas que para já ainda escorrega nestes palcos. Rolando tremeu, Moutinho cometeu um erro atípico, Lucho ficou estrangulado por um raio de acção demasiado pequeno, Varela sumiu, Kléber entrou para fazer número - ou para desfazer, uma vez que jogar com ele é como jogar com um a menos -, Defour entrou por entrar, Mangala lesionou-se e até Helton cometeu erros. De todos, apenas se salvam Maicon e Fernando.
O central/lateral está num grande momento de forma e, no centro ou na direita, seca qualquer adversário - na verdade, reclama-os para si, quais prémios de uma caçada triunfalmente bem sucedida; o trinco é um verdadeiro Polvo: os seus tentáculos estendem-se num raio de acção infinito, cortando bolas, passando-as, empurrando a equipa para a frente, matando todo e qualquer ataque pela raíz - por alguma razão os dois golos do Manchester City nasceram de erros individuais portistas e não de jogadas construídas com cabeça, tronco e membros.

Game Over?
O resultado faz prever que a eliminatória está acabada; na verdade, se seguirmos a tradição, até somos goleados em Inglaterra. Porém, há que acreditar numa reviravolta histórica. Em 2003, 2004 e 2010, fizemos grandes campanhas europeias, escrevemos o nosso nome nos livros de façanhas. Por que não para a semana? Por que não agora? Por que não nesta Liga Europa? Vamos acreditar!

Fernando foi fenomenal, o melhor seguido de Maicon, sensacional
O Polvo não deu hipótese a Balotelli e companhia

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O Caminho Para a Estupidificação Total

Ridículo. Absolutamente ridículo, é o que tenho a dizer sobre o despedimento de Domingos. Não sei como é que os dirigentes sportinguistas podem ser tão fracos assim e ceder às pressões de meia-centena de adeptos ranhosos mas com poder. Há seis meses, o Sporting entrara numa bifurcação; parecia estar a enveredar pela via da salvação. Neste momento, incorre no caminho para a estupidificação total.

Exemplos
Atentemos no Real Madrid. Um clube com dimensão e objectivos mil vezes maiores e mais grandiosos que o Sporting, uma pressão por parte da massa associativa muito mais esmagadora que os leões, uma equipa mais recheada de estrelas que o céu e, certamente, os lagartos. José Mourinho foi contratado para construir uma equipa - uma estrutura vencedora. Primeiro ano: humilhação frente ao Barcelona em Camp Nou, para La Liga, eliminação da Liga dos Campeões, segundo lugar a vários pontos; uma mísera Taça do Rei. Despediram-no? Não. Esta época: quase eliminou os blaugrana da Taça do Rei (perdeu com dignidade), quase ganhou a Supertaça de Espanha (merecia ter conquistado o troféu), melhor desempenho de sempre na Liga dos Campeões e ainda em competição; PRIMEIRO LUGAR A 10 PONTOS NA LIGA, PICHICHI COM 27 GOLOS EM 22 JOGOS, A CAMINHO DE BATER INÚMEROS RECORDES MUNDIAIS DE SEMPRE. Aqui está um belo exemplo.

Mourinho aguentou-se no Real Madrid!


Eu, Tu, Ele...
Ia eu hoje publicar aqui um artigo de comentário todo pipi sobre a influência de certos jogadores-chave no  jogo das suas equipas, assim como um pequeno post a elogiar a eficiência de Maicon a central e a influência da dupla Hulk-James no jogo ofensivo do FC Porto, quando li a notícia. Domingos Paciência despedido do comando técnico do Sporting. Não sou apoiante dos leões, mas até a mim a má-nova me fez arrancar os cabelos. Sá Pinto será o 37.º treinador em 30(!) anos e o sexto nos últimos três anos - isto é, o Sporting tem já uma média de dois treinadores por época nas últimas três temporadas! Vergonhoso...

2009/2010. Paulo Bento e Carlos Carvalhal
2010/2011. Paulo Sérgio e José Couceiro
2011/2012. Domingos Paciência e Ricardo Sá Pinto



Domingos
Quando o Sporting contratou Domingos, aplaudi a decisão; o ex-jogador portista tem provado ser um óptimo treinador, tendo obtido excelentes resultados em Braga e caminhando para o estrelato. Quando o Sporting contratou Domingos, pensei: "bem, talvez daqui a uma ou duas épocas ganhem o campeonato". Quando o Sporting contratou Domingos, previ uma equipa leonina fortíssima a médio/longo-prazo. Nunca agora. Nunca em apenas seis meses.
De facto, o campeonato começou mal para os verdes-e-brancos e todos concordaram com a minha visão. Porém, com aquela magnífica sequência de resultados fantásticos, os sportinguistas puseram-se a sonhar mais alto do que deviam. Imaginaram uma equipa para agora, para o imediato, que teria de ser campeã JÁ. Enganaram-se e permitiram-se desviar do verdadeiro objectivo por uma saga que não correspondia, de todo, à realidade actual da equipa e do clube em si.
Finalmente desceram à Terra com o regresso dos maus resultados e acharam que o Sporting não era assim, o Sporting era o anterior, aquele das milhentas vitórias seguidas. Domingos bem avisara que esta não era uma equipa de presente, mas sim de futuro. Contudo, o adepto leonino julgou que o problema não era da juventude da equipa: o culpado era o treinador.
Ranhosos como Costinha e outros, muitos de forma oculta, fizeram a pressão necessária para que a fraquíssima direcção cedesse e despedisse o óptimo treinador que tinha em mãos e deitasse todo o trabalho feito ao lixo. RIP Sporting...

Adeus Domingos: início da morte anunciada do Leão

Sá Pinto
Ricardo Sá Pinto, Coração de Leão. Deixem-me rir. Nunca gostei dele. Nem como jogador, nem como director desportivo nem como nada. É um homem problemático, polémico, inconsequente e demasiado independente e insolente. Um mal-educado que semeia o mau ambiente e o desconforto por onde quer que passe. Claro que era a escolha natural após os bons resultados com os júniores e pelo facto de não da prejuízo à SAD dos leões. Porém, asseguro-vos uma coisa, amigos sportinguistas: não conseguiram com o Domeingos, jamais conseguirão com Sá Pinto.

Sá Pinto não tem nervo ou discrição para um cargo assim

Franguinho Lopes e as Galinhas
O problema não era o treinador. O problema era uma equipa jovem e só agora formada. Seis meses de sobressaltos e críticas ensurdecedoras. E uma direcção fraca, muito fraca, sem qualquer força ou poder para fazer finca-pé e resistir às investidas de meia-dúzia de cretinos. Esta equipa directiva está feita em frangalhos, é uma mera sombra desbotada daquilo que poderia ter sido. Franguinho Lopes, Luís Estuque e outros palermas que tais bem podiam ter apresentado a sua demissão e ir jogar aos presidentes para outro lado, ir dar uma volta ao bilhar grande. Basicamente, deviam ter-se pirado.
Mereciam-no muito mais eles que Domingos Paciência. Porque com a perda deste excelente treinador, furtaram quaisquer hipóteses de se recomporem.
Apenas um dado positivo se retira de toda esta palhaçada: o meu Porto já tem treinador para a próxima temporada ;D um regresso há muito esperado!

Domingos com a camisola do Porto contra... o Sporting

Próxima Paragem: Liga Orangina

Metro de Lisboa - destino: Liga Orangina

Liga Orangina: ligação com linha D(esaparecimento) e Autocarros (descida de divisão). Se mudar para outro treinador ou direcção, valide novamente o título de estupidificação.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Nélson Oliveira

Nélson é mais promissor jovem português do momento

Penso que já se tornou pretty obvious que Nélson Oliveira é o jovem jogador português que mais me agrada de momento. Com apenas vinte anos, é já dono de um talento enorme e faro de golo digno de uma chamada à Selecção Portuguesa e acção mais regular nos jogos do Benfica. Anteontem, marcou pelo segundo jogo consecutivo a titular. Três jogos, dois golos. Bem melhor que Postilol e Hugo Alpeida (desculpem rapazes, apeteceu-me). Fica aqui o artigo d'O JOGO ;)

Nélson lapidado para o Euro'2012
FILIPE PEDRAS
Ao terceiro jogo como titular na Taça da Liga, Nélson Oliveira apontou o seu segundo golo na prova e tornou a ajudar os encarnados a vencer. O festejo valeu o desbloqueio de um jogo, mas é bem mais ampla a questão em torno do internacional sub-21: Jorge Jesus acredita ter em mãos um caso sério e até já comentou em círculos próximos que o ponta-de-lança "é terrível" do ponto de vista técnico e também da velocidade. A aposta do treinador é clara e posta diariamente em prática, a cada treino, com trabalho individualizado. É que há um projecto a médio prazo definido pela SAD para o goleador e, nesse plano, entra a presença na Selecção Nacional e a ida ao Euro'2012.
Este último cenário, sabe O JOGO, poderá nem andar assim tão longe de acontecer, ou não estivesse Paulo Bento bastante atento ao jogador encarnado. O seleccionador segue há muito a evolução do camisola 16 benfiquista - já em 2010 o via como potencial futuro seleccionado - e tem o nome do atacante na cabeça a pensar no Europeu. Paulo Bento tem natural consciência das históricas dificuldades da formação das Quinas na eleição de uma referência ofensiva e vê em Nélson Oliveira um jogador que pode acrescentar algo diferente do oferecido por jogadores como Hugo Almeida, Nuno Gomes ou Hélder Postiga. Além disso, tem trocado frequentemente impressões com Ilídio Vale (seleccionador de sub-20) e Rui Jorge (sub-21) sobre o jogador.
Até serem conhecidos os nomes dos eleitos para a competição a disputar entre Polónia e Ucrânia, porém, o jovem goleador terá de continuar a aperfeiçoar as suas qualidades. De águia ao peito, apurou O JOGO, efectua diariamente trabalho específico de finalização com o objectivo de melhorar uma das suas lacunas: o jogo aéreo. Além disso, Jorge Jesus quer ver também Nélson Oliveira aperfeiçoar o disparo com o seu pior pé, o esquerdo, na esperança de que, com estes dois itens potenciados, o mundo se renda a um ponta-de-lança diferente dos outros: rápido, forte, mas ao mesmo tempo completo na hora de abanar as redes. Além da movimentação, outro dos pontos essenciais em que Jesus mais insiste com o jogador nos treinos prende-se com a temporização do jogo; o técnico considera que Oliveira tenta cumprir quase todas as suas acções em jogo em grande velocidade e que tal não só prejudica a sua actuação como por vezes compromete a definição de lances potencialmente perigosos. A ideia é levar o jovem talento a conseguir ler melhor o jogo e segurar a bola, pois, na maioria das vezes, tal opção acabará por levá-lo a tomar uma melhor decisão.
Nos gabinetes, o presidente Luís Filipe Vieira acredita estar perante um jogador com enorme margem de progressão e para ele tem definida uma estratégia de afirmação sustentada na equipa e, espera, também na Selecção. Uma eventual chamada para o Euro'2012 poderá ser um passo de gigante rumo a um plano de valorização que se acredita poder vir ainda a render muitos milhões de euros.

Todos desejamos que Paulo Bento o chame à Selecção

"Cantona" já faz sombra a Cardozo e Rodrigo

Se Rodrigo se pode deitar na cama sabendo que é regular opção nas escolhas iniciais de Jorge Jesus, Nélson Oliveira terá um caminho mais longo a percorrer, mas também já sabe que se vai transformando numa espécie de "sombra" de Cardozo e do próprio hispano-brasileiro. As indicações dadas pelo português nas quatro linhas - e também em situação de treino, onde Jorge Jesus aprecia a sua total aplicação e vontade de aprender - têm deixado o técnico encarnado bastante agradado, a ponto de a aposta no lançamento sair reforçada na mesma medida. Apesar de, até final da época, o calendário não se afigurar muito favorável, não será de estranhar a presença cada vez mais assídua na segunda linha do miúdo apelidado "Cantona" pelos olheiros franceses que acompanharam o último Mundial de sub-20, na Colômbia. Garantido está o carinho dos adeptos benfiquistas, que rejubilam com um produto da formação.

Futura estrela portuguesa?

A Taça Insignificante Já é Clássico Importante

Festa Portista numa Taça da Liga recheada de reforços
Porto 2-0 Vitória de Setúbal. Mais que uma vitória importante para o moral de uma equipa que parecera um monte de lesmas em Barcelos, mais que a reconciliação com os adeptos, mais que o alcançar um recorde de pleno de vitórias, o triunfo de ontem serviu para ver os novos rostos do Dragão em acção. E que acção! Agora, que venha de lá o Benfica.

Os três invernosos
El Comandante parece que nunca de cá saiu, torna-se melhor jogador de azul-e-branco e mostra uma sintonia com Moutinho própria (sem faltar ao respeito a esses dois magníficos jogadores) de uma parceria Xavi-Iniesta. Janko promete golos: tem boa movimentação, disparo fácil, finalização eficaz e sabe pedir a bola: como, onde e quando. Além disso, fez o que se lhe pedia: marcou - e logo na estreia! Danilo, pela primeira vez titular, mostra ser uma promessa de presente e futuro, um asset para agora e uma venda choruda para depois.

Um miúdo de Verão
E devo falar também de Alex Sandro que, no final de contas, tão poucas oportunidades temos para o ver: pode não ser o portento que é Danilo, mas tem pendor ofensivo, técnica elevadíssima, finta fácil e inteligente, qualidade de passe, velocidade e muito talento - um bom substituto de Álvaro Pereira; com ele, não temo ver o uruguaio partir no Verão.

Uma defesa, dois conceitos
Há que destacar que, por terem vindo do Brasil, os dois jovens laterais tenham ainda lacunas táctico-defensivas, algo que irão corrigir com o tempo. Na América do Sul, a idealização de defesa é algo absolutamente diferente da Europa; basta ver onde se começa a pressionar cá (ainda no meio-campo adversário) e lá (já perto da área).

Um, Dois, Três
Bracalli (0) - sem trabalho; tem de melhorar a reposição da bola com os pés!
Danilo (+2) - um portento, um lucho de lateral-direito ainda jovem mas com muito para dar.
Maicon (+1) - exibição tranquila e sem falhas; é central - ponto.
Mangala (0) - jogo bem conseguido do jovem francês, embora menos brilhante que o companheiro.
Alex Sandro (+1) - miúdo cheio de genica; finta que é uma delícia; defende bem e ataca muito bem.
Fernando (x) - lesionou-se sem poder dar um ar de sua graça.
Moutinho (+2) - com Lucho, parece Xavi; é maravilhoso vê-lo com a bola nos pés; rotação magistral na origem do segundo golo portista.
Varela (+1) - em curva ascendente, tem ainda de melhorar se quer ser a terceira opção para as alas.
Rodríguez (0) - é a terceira opção, mas se fizer mais jogos como este, fica mas é na bancada.
Janko (+2) - já lhe atribuí um importante rol de elogios, mas nunca é demais elogiar o faro de golo.
Defour (+1) - rendeu o lesionado Fernando e já tem assegurada a suplência utilizada em todos os jogos.
Álvaro Pereira (x) - é o Álvaro; que maior elogio lhe posso atribuir?
James (+1) - foram apenas alguns minutos para deixar o relvado mais perfumado e mostrar aos colegas o que é uma jogada individual primorosa e um último passe absolutamente letal.

Homem do Jogo
Lucho (+3)
- Se Janko promete, Lucho cumpre e supera todas as expectativas. Vê-lo jogar é algo que contraria todas as regras da metafísica, a relva parece mais lisa e macia, a bola mais redonda ainda do que já é. Com Moutinho, parece que jogou toda a vida; um é o cérebro (português) e o outro o artista (argentino), um é Xavi e o outro Iniesta. João pensa o jogo da equipa, Lucho executa-o, sabendo exactamente o terreno a pisar, o passe a endossar, a finta a empregar, o adversário a ultrapassar; quando abrandar e quando acelerar, quando passar e quando driblar, quando parar e quando arrancar. Tê-lo sobre o relvado do Dragão é um luxo, palavra homófona do nome do Comandante que voltou ao navio do seu coração para nunca mais abandoná-lo.
- Marcou um golaço, mas mais do que isso, devolveu esperança aos adeptos para a segunda volta. Com Fernando atrás como o backup de Lucho e Moutinho, que matam o oponente com jogadas do outro mundo, de tão fluídas e naturais que são, o meio-campo portista será, sem dúvida, o melhor de todo o campeonato. A saída de Lucho foi um volto já, tendo regressado como se nunca tivesse partido. Isto é amor à camisola. O golão? Um mero luxo, um souvenir de Marselha para os adeptos.

Bienvenido, Comandante!

Janko estreou-se da melhor forma: com um golo a la "9" 
Lucho marcou um golaço marca da casa

Danilo conquistou a titularidade na destra da defesa